quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A(s) Besta(s) Está(ão) Entre Nós


Quando o pequeno Davi enfrentou o gigante Golias talvez não imaginasse que milênios depois esta sua atitude fosse se tornar uma neurose. Nada contra Davi, pelo contrário. Estava na dele. Tinha mais era que enfrentar o gigante, afinal, “tamanho não é documento”. Eu tenho uma teoria e acho que não sem razão, que o protestantismo brasileiro (ou seria o evangelicalismo brasileiro?) possui uma profunda crise existencial: só consegue viver e crescer se tiver um inimigo, que claro, é sempre grande, enorme. Não, não, gigantesco!

Pois bem, esta teoria tem lá sua razão de ser.

Voltemo-nos um pouco para o passado: Quando os missionários aqui chegaram (Simonton, Chamberlain, o casal Kalley, dentre outros) encontraram uma nação profundamente católica. Existem relatos históricos de perseguições sofridas pelos primeiros protestantes nestas terras tupiniquins. Pessoas eram perseguidas, templos apedrejados; bíblias queimadas em praça pública (normalmente em frente ao templo da Igreja Católica Apostólica Romana). De fato, nossos pais na fé sofreram e muito. Os padres no sertão nordestino soltavam histórias absurdas sobre os “crentes”: Que eles, à semelhança do diabo, possuíam os pés fendidos, tais quais as patas dos bodes. Assim, muitos eram parados nas ruas e os incautos lhes pediam que tirassem os sapatos para comprovar o “fato”. Nestes locias, os crentes eram alcunhados de "Pés de bode". Diante disso e de tantas outras coisas, surgiu no Brasil a ideia de que a Igreja Católica era um inimigo e assim, “agigantou-se” - eis o primeiro gigante a ser enfrentado e combatido. E assim foi, por muitas décadas. O fato é que a Igreja Católica Romana foi mudando, deixando de perseguir os “crentes” e o gigante foi ananizando-se. Eis o problema:

- "E agora, não temos mais inimigos a combater. Precisamos de um!!"

Década de 50. O mundo estarrecido com o avanço da “Cortina de Ferro” a URSS-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O mocinho adverte o mundo:

- “Cuidado, eles comem criancinhas!”

- "Eis o novo gigante!!! Obrigado, Senhor, temos de novo, um inimigo, louvado sejas, Senhor!"

Lembro-me de ser muito influenciado por umas revistinhas famigeradas do Wim Malgo: Notícias de Israel e Chamada da Meia-Noite. Nelas o “exegeta” provava com todas as letras (e versículos), que a URSS, na figura de seus líderes (Brezhnev, Gorbatchev) era o anticristo, a besta. Mas em 9 de novembro de 1989 o muro caiu... o comunismo acabou... e novamente, os crentes ficaram sem inimigos...

- "Snifff! Não importa, criemos um inimigo a ser combatido!"

A partir de então, tudo era um inimigo em potencial. E de repente, eis que surge a oportunidade:

O movimento da Nova Era foi eleito o inimigo a ser combatido. A Nova Era é um perigo. Tudo é Nova Era. Comida é Nova Era, bebida é Nova Era, camiseta é Nova Era, cremes são da Nova Era, tudo era da Nova Era. Mas não era... a verdade é que o movimento Nova Era nunca causou problemas aos crentes. Os crentes é que precisavam de que a Nova Era fosse forte, perigosa, para então quixotescamente, combatê-la. Mas o movimento da Nova Era também acabou e os evangélicos brasileiros mais uma vez ficaram sem inimigo a ser combatido.

- "Mas agora é diferente! Tudo se encaixa! Nosso vazio existencial evangélico começa a ser preenchido. Estamos à beira de profecias se cumprirem. Temos um grande inimigo:"

EXTRA! EXTRA! BARACK OBAMA É A BESTA DO APOCALIPSE!!!

Já existem sites apregoando o cumprimento da profecia. Já existem pastores pregando sobre o fato. Já fiquei sabendo que até em salões de beleza, cabeleireiras estão comentando... Hehehe.
Não resisto: vou citar um referido Blog:

"O quadro do governo Mundial 'besta + G7 + ONU + CMI' se fecha perfeitamente em Obama, um representante a altura e com o mesmo caráter e intento que a cúpula anticristã Mundial!!”

E blá, blá, blá...

Diante disso tudo, eu acho mesmo que a besta está presente entre nós. O Problema é que não é uma só, são milhares. Que o Senhor se apiede de nós...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Como Uma Onda no Mar...


Lulu Santos fez grande sucesso na década de 80 cantando "Como uma Onda", referindo-se aos fatos da vida, que vem e vão, como as ondas do mar, "num indo e vindo infinito". Comecei a pensar neste fato e tive que concordar com Lulu Santos, e mais: Lembrei-me do bordão dos publicitários: "Nada se cria, tudo se copia" e daí pra Lavoisier: "tudo se transforma..." A cada momento que vemos algo aparentemente novo, chegamos àquela clássica confirmação: "já vi algo parecido".

Creio que na atual conjuntura eclesiástica acontece o mesmo. Tenho visto e ouvido tanto de profetas, profetisas e visões que isso não me deixa nenhuma dúvida. Isso já aconteceu...
Foi assim que, nesta semana, deparei-me com um texto de Eusébio de Cesaréa em sua "História Eclesiástica", do século IV, em seu capítulo XVI, e que gostaria de citá-lo "ipsis literis". permita-me.

...Na Mísia, perto da Frígia, há uma localidade chamada Árdaba. Contam que ali Montano, levado pela ambição imoderada de ocupar o primeiro lugar, franqueou sua alma ao espírito maligno. Ele estava entre os recém-convertidos e, possuído pelo demônio, começou violenta e frequentemente a delirar, entrando em certo tipo de transe extático, proferindo coisas ininteligíveis e nunca ditas na Igreja, profetizando de modo contrário ao costume da Igreja, que tem sido transmitido pela tradição desde o princípio.

8. Alguns, ouvindo suas extravagâncias, repreenderam-no como pessoa dominada por um demônio... tendo presentes as advertências do Senhor que nos exortam a vigiar contra os falsos profetas. Mas outros, arrebatados e sobremaneira exultantes, presumiram possuir o Espírito Santo e o dom de profecia.

9. ...Suscitou também a duas mulherzinhas, enchendo-as do espírito maligno, de tal modo que começaram a falar irresponsavelmente coisas absurdas e estranhas... Tais pessoas, sob a influência de tal espírito, blasfemaram contra a Igreja Católica, porquanto essa não dava entrada nem crédito a espíritos pseudo proféticos.

10. Por causa deste assunto, repetidas vezes reuniram-se em diversos pontos da Ásia os fiéis asiáticos, ...condenada a heresia e expulsando tais hereges da Igreja e da comunhão com os fiéis.

Lulu Santos não estaria certo? Esta onda que nos sacode já sacudiu a igreja anteriormente, e não continua "num indo e vindo infinito"?. Sim, é isso mesmo. A grande diferença entre os primeiros séculos e os tempos em que estamos vivendo é que lá, havia uma unidade de fé por parte da igreja e tal fé era reconhecida e partilhada pela maior parte dos cristãos. Assim, quando a Igreja combatia tais heresias e as condenava, a grande maioria dos cristãos entendia tal atitude e reconhecia a firmeza da igreja, e os hereges desacreditados. Por consequência, seus movimentos logo perdiam os adeptos.

As ondas continuam vindo num vai e vem infinito. Mas há uma diferença. O que mudou foi a postura da igreja e dos cristãos. Antes, os cristãos se solidarizavam com a Igreja. Hoje, a solidariedade é com os movimentos e com os hereges. Hoje, o descrédito é para com a Bíblia e não para com os hereges.

Pois é, o montanismo veio até nós "como uma onda no mar"...


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Presbiterianos independentes, mas nem tanto assim...


"Assim, pois irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" - 2 Tessalonicenses 2.15

Tempos conturbados esses em que vivemos. O que antes era verdade, agora manifesta-se como a mais profusa mentira. Alguém poderia imaginar que o Presidente Lula fosse indicar para a presidência do Banco Central, um banqueiro? São as contradições da pós-modernidade, diria o filósofo, já que vivemos uma época em que "tudo que é sólido desmancha no ar".

Na verdade, por uma imposição desta tal de pós-modernidade, passamos por uma crise de paradigmas, de referenciais, uma vez que é próprio do espírito pós-moderno, questionar o que era caracterizado como "moderno". Mas que era mesmo ser moderno?

De forma muito superficial, modernidade foi a era inaugurada pelos filósofos iluministas, que elevaram a razão à sua máxima, em contraposição à interpretação religiosa de ver o mundo da idade medieval. E como bordão desta escola filosófica, que tem o nome e seu raciocínio lógico como o centro, há a frase de René Descartes, "penso, logo existo". Eis a modernidade - a razão! Eis o homem moderno, o racional!

Pois bem, a "pós-modernidade" em que estamos vivendo age justamente na crítica desta premissa da modernidade - a razão. No mundo pós-moderno, as pessoas não estão mais convencidas de que a razão seja a única forma de conhecimento, mas sim, a emoção e a intuição. No pós-modernismo em que estamos vivendo, não há mais verdade, e sim, "verdades". E mesmo assim, estas verdades são relativas, pois o que é verdade para uns, pode não ser para outros.
É também característica desta nova ordem, olhar para tudo de forma globalizada. Não há mais um mercado local, tudo se misturou. A crise imobiliária nos Estados Unidos, quebrou bancos no mundo inteiro.

Mas você deve estar se perguntando: "Que isso tem a ver comigo e com a igreja?" E eu lhe respondo: Tudo, absolutamente, tudo. A pós-modernidade não bateu na porta de nossos templos pedindo licença para entrar. Entrou e se instalou! Stanley Grenz afirma: "Assim como algumas pessoas sentem-se bem ao misturar elementos de vestuário tidos tradicionalmente como incompatíveis, os pós-modernos sentem-se bem ao misturar elementos de sistemas de crenças tradicionalmente considerados incompatíveis".

Ser cristão e presbiteriano independente nesta cosmovisão é muito difícil! Somos cristãos, cremos que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação e lá vem o tal de pós-moderno: "Bem, ele é o caminho para você, pode não ser para outro..." Até aqui nos agüentamos no mesmo barco e abraçamos nossa ortodoxia cristã: "Não, Jesus Cristo é o único caminho!" Mas além de cristãos, somos presbiterianos independentes e precisamos, na linguagem do apóstolo Paulo aos Tessalonicenses, "guardar as tradições que nos foram ensinadas", e lá vem de novo, o espírito da pós-modernidade: "mas pra quê guardar tradições se devemos mesclar tudo?" E aqui, nossa ortodoxia não resiste. Não são pouco os que estão se rendendo à esta visão.

Por quê, ser simplesmente um presbiteriano independente se eu posso ser um presbiteriano, batista, pentecostal, metodista, assembleiano, independente, renovado, da comunidade "x" com estratégia em células, inspirado pelo G12, envolvido com ministério de curas com ênfase no falar em línguas, tendo como referencial, o ungido de Deus que aparece na TV, pastor fulano de tal? Ah, me esqueci. Com cobertura espiritual da profetisa beltrana, do tabernáculo do fogo...

Pois é, Paulo nos adverte: "guardai as tradições que vos foram ensinadas" - Eis aí a todos os membros da IPI do Brasil um grande desafio bíblico. Sejamos pois, com responsabilidade, bons presbiterianos independentes.

A Ele, pois, toda a glória!