terça-feira, 20 de abril de 2010

Mentiras em Nome de Deus

Recentemente, o chamado “Ministério Casa de Davi” publicou dois vídeos com uma retratação de um de seus líderes, Davi Silva. No filme, Davi confessa que mentiu por 10 anos (desde a fundação de seu ministério) sobre testemunhos de milagres, revelações e coisas do gênero, enganando milhares de pessoas que participaram de suas conferências e compraram seus CDs e DVDs espalhados Brasil e mundo afora.
Agora, Davi vem a público pedir perdão por seu pecado. Uma bela atitude, é verdade. E se for sincero, seu pedido de perdão, será concedido por Deus, que é fiel e justo em nos perdoar (1Jo 1.9). Davi é apenas mais um irmão da igreja de Cristo que peca e um dos poucos que assume publicamente seu erro, seu pecado. Este não é o problema.
Problema maior é a ingenuidade, da chamada igreja evangélica brasileira. Antes da confissão de Davi Silva, se alguém criticasse tal ministério, seria tachado de “frio”, “racional” e acusado de não crer na “unção” do Espírito Santo. Assim como acontece hoje, quando falamos que não procede de Deus, muitas coisas “maravilhosas”, que vimos na televisão: Somos criticados e acusados de julgar o próximo, de não crermos em milagres etc.
Não sou adepto da sinistrose escatológica, mas acho que vivemos um tempo parecido com aquele descrito em 2 Tm 4.3: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”. Isso está acontecendo debaixo de nosso nariz. Hoje em dia, não basta a sã doutrina, tem que haver aquele “algo mais”, aquela coceirinha nova nos ouvidos e claro, sempre acompanhada da entonação correta: As palavras não podem ser ditas naturalmente. Há uma entonação correta. Não pode ser um mero “em nome de Jesus”. Deve ser “em o noooooome de Jesuuuuuus”. Isso, hoje em dia, na igreja brasileira, é um sinal de que, quem fala, é ungido, é espiritual.
Lamentável termos uma igreja tão ingênua e tão desprovida de conhecimento das Escrituras e que por consequência, creia em “apóstolos”, “ungidos de Deus” e “profetas” com suas “profetadas”.
Lamentável termos uma igreja que não possui nenhum apego ao estudo criterioso da Bíblia. Lamentável termos uma igreja brasileira que não possui nenhum apego ao critério dos bereanos (que estudavam as Escrituras para ver se as coisas eram de fato, como estavam ouvindo).
Muitos “Davis Silvas” surgirão no cenário nacional, enquanto a igreja não pagar o preço do estudo sério da bíblia e de suas doutrinas.
Que o Senhor nos abençoe e nos fortaleça em seu conhecimento, a fim de não sermos pegos pelos lobos vestidos de cordeiros que rondam a igreja de Cristo e atacam o redil sem piedade. E cuidado: Eles estão todos os dias e todas as noites em sua casa, em horário nobre...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Imitar ou Não? Eis a Questão!


Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.
1 Coríntios 11.1

INTRODUÇÃO
Estamos comemorando os 500 anos do nascimento de Calvino, ocorrido em 10 de julho de 1509 e o começamos por um problema: Nós, protestantes calvinistas, temos muitas dificuldades com o enaltecimento de pessoas, pois queremos glorificar apenas a Deus. Diante disso, como falar de uma pessoa, como pregar sobre uma pessoa sem cair na idolatria barata? Como falar de um ser humano sem incorrermos naquilo que popularmente chamamos de “rasgação de seda”? Ou pior ainda: Podemos fazer isso? Podemos pregar sobre um homem? Os anglicanos não teem problemas com isso. Estão muito bem com seus ícones. Mas nós calvinistas, não.
Portanto, o que fazer?

A resposta é a própria bíblia quem nos dá.
No muito conhecido texto que acabamos de ler, temos, se não avaliarmos corretamente, uma das expressões mais arrogantes de toda a bíblia, quando o apóstolo Paulo nos diz: “sede meus imitadores”.
Contudo, a ordem ganha nova luz com a seguinte condição: “como eu o sou de Cristo”. Paulo era um imitador de Jesus Cristo, tinha tanta convicção disso que afirmara em Gálatas 2.20: “não mais eu, mas Cristo vive em mim”.
O que Paulo quer nos dizer? Simples, que devemos imitá-lo na mesma proporção em que ele mesmo imita a Jesus Cristo.

Portanto, eis o limite. Eis a regra. Eis o exemplo. Eis a resposta. Sim, podemos falar de homens. Podemos pregar sobre homens, podemos imitar homens, desde que eles sejam imitadores de Cristo.
Por esta norma, a História da Igreja é repleta de gigantes que devem ser imitados: O próprio apóstolo Paulo, o Rev. Martim Luther King, Dietrich Bonhoffer, e por que não, Rev. Caetano Nogueira Jr, um incansável missionário de nossa igreja, que ficava distante de casa 6 meses no campo missionário ou mesmo o Rev. Jonas Dias Martins, desbravador da Região Norte do Paraná? E por que não, também, sermos imitadores de João Calvino?
Devemos imitar aquilo que os homens imitarem de Cristo. Aquilo que os homens fizerem que não imita a Jesus, deve ser descartado por nós é o que Paulo nos orienta em 1Ts 5.21: “mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom”.

Feitas estas ressalvas, voltemos pois, à figura de nosso reformador.
Há na pessoa de João Calvino uma característica que, para sermos considerados calvinistas, precisamos também cultivá-la em nossa vida. Neste sentido, precisamos imitar Calvino. E o que há de bom na vida de João Calvino que deva ser imitado por nós? Ou melhor, se somos calvinistas, o que devemos manifestar para assim o sermos? Qual deve ser nossa característica para sermos calvinistas?

A FIDELIDADE
A fidelidade hoje em dia é uma virtude esquecida e quiçá, ridicularizada. Nós brasileiros já nos acostumamos à infidelidade; parece, ela é parte integrante do “modus vivendi” brasileiro: Não achamos mais estranho a infidelidade conjugal, não achamos mais estranha a infidelidade partidária e como diriam nossos antepassados: O mundo entrou na igreja, pois já nos acostumamos também à infidelidade eclesiástica. Hoje dia, as pessoas trocam de igreja como se trocam as indumentárias: "Qual igreja se adapta ao meu perfil? Qual igreja combina melhor comigo?"
Contudo, como cristãos, Deus espera e requer de nós a fidelidade. Neste aspecto, a vida de João Calvino é para nós, motivo de imitação.
O nosso reformador pode ser acusado de intolerante e rígido demais. Contudo, jamais poderá se dizer dele que foi infiel.

Calvino foi fiel à doutrina.

Em meio à efervescência do movimento da reforma, Calvino demonstrou fidelidade à toda prova à doutrina evangélica. Tanto é verdade que sua obra é gigantesca: São conhecidos mais 2500 sermões, inúmeros comentários bíblicos, além de livros e cartas, todos prezando pela fidelidade à doutrina evangélica.
Isso para nós é um grande desafio. Hoje, vivemos a era da infidelidade doutrinária. Muitos pastores, oficiais da igreja e membros estão vivendo uma infidelidade à doutrina. Conheço pastores que se recusam a batizar crianças e se dizem presbiterianos. Deveriam estar na Igreja Batista. Nossos presbitérios deveriam ser mais rígidos quanto a isso.
Hoje em dia a fidelidade doutrinária está ferida de morte. São tantos “homens de Deus” que entram em nossos lares via televisão e rádio que nossos membros começam a crer em tudo o que ouvem. E assim, assistem aos shows evangélicos da televisão com seus animadores de platéia e quando chegam no domingo em suas igrejas, querem fazer o mesmo e pior: forçam os pastores a fazer o que viram na televisão.
Infelizmente, temos vivido um verdadeiro “self service” doutrinário. Há doutrinas para todo tipo de gosto, no qual, o crente vai montando o seu combo (combinado), o seu pacote, o seu kit doutrinário. Como se tal fosse possível.
Calvino nos dá o exemplo de fidelidade às doutrinas por nós confessadas. Ele teve uma vida de integridade doutrinária. Eis o que devemos imitar em João Calvino: devemos ser fiéis à nossa doutrina reformada e calvinista.

Calvino foi fiel à igreja.
Se temos visto uma infidelidade doutrinária, o que dizer então, da infidelidade eclesiástica? Tenho visto muitos pastores e muitos crentes dizerem que não dão valor à denominação ou numa frase muito comum: “Não estou preocupado com placas de igrejas”. Certa vez, ouvi, pasmemos, da boca de um pastor: “Pra mim, a IPI é uma franquia” - ou seja, ele fazia o que queria em sua igreja local, pregava o que queria, apenas usava o nome Presbiteriana Independente por que este nome carrega uma seriedade, carrega uma história reconhecida pela sociedade e isso é bom.
Sim, irmãos, precisamos valorizar nossa história, precisamos valorizar nossa identidade, precismos valorizar nossa igreja.
Em tempos onde pastores são presos em aeroportos com dólares escondidos (só faltavam estar na cueca), em tempos onde pastor encomenda a morte de outro pastor por questões políticas, em tempos onde igrejas falam mais de dinheiro que na graça de Deus, em tempos onde os conceitos estão invertidos, onde Deus deixou de ser senhor e o servo tornou-se Senhor ao dizer para Deus: “Eu ordeno que tal coisa aconteça! Eu rejeito tal problema! Eu declaro que tal irá acontecer!”, em tempos onde os cultos se transformaram em shows de entretenimento, sim, eu valorizo a placa de minha igreja, pois a IPI do Brasil é uma igreja que em meio a todas estas aberrações doutrinárias, tem sido uma igreja que preza pela profundidade bíblica. E devemos, sim, ter fidelidade eclesiástica. A este respeito, Calvino nos dá exemplo. E se somos uma igreja reformada, o mínimo que se espera de nós é a fidelidade doutrinária e eclesiástica.
Conta-se que o dono de um pequeno sítio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor bem conhece. Pode redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer; com extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda”.
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- “Nem penso mais nisso”, disse o homem. “Quando li o anúncio e percebi a maravilha que tinha, desisti imediatamente de vender aquele paraíso!”

Muitos membros da IPI do Brasil teem agido como aquele amigo do poeta: desconhecem o tesouro que possuem... E neste sentido, todos precisamos demonstrar fidelidade à nossa igreja.

Calvino foi Fiel a Deus
Calvino foi fiel Deus, acima de todas as coisas. Aliás, toda a sua vida e ministério foram uma manifestação de fidelidade a Deus. Quando, ao longo de vários anos escreveu sua obra maior, as Institutas, foi por fidelidade a Deus.
Não se tem notícia de que Calvino em algum momento de sua vida tenha demonstrado infidelidade a seu Senhor. Não se tem notícia de que sua fé tenha fraquejado. Não se tem notícia de que tenha cometido delito que manchasse a honra do evangelho. Não se tem conhecimento de um escândalo sequer, que viesse a ser interpretado como infidelidade da Calvino a Deus.
Muito pelo contrário, se era rígido demais com as práticas que distanciavam o povo de Deus, o foi por fidelidade a seu Senhor.
Até o dia de sua morte, Calvino foi fiel a Deus.


CONCLUSÃO
Diante disso, sejamos pois irmãos e irmãs, fiéis a Deus. Olhemos para a vida Calvino como um exemplo no que diz repeito a fidelidade à doutrina, fidelidade à igreja, e por fim, sejamos fiéis a Deus.
Agindo assim, não estaremos idolatrando Calvino, mas em primeiro lugar, obedecendo a Deus, que nos conclamou em Apocalipse 2.10: “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida”.
Cultivemos, pois, a fidelidade em nossa vida.
A Ele, pois, toda a glória!!!!
Rev. Roberto Mauro

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A(s) Besta(s) Está(ão) Entre Nós


Quando o pequeno Davi enfrentou o gigante Golias talvez não imaginasse que milênios depois esta sua atitude fosse se tornar uma neurose. Nada contra Davi, pelo contrário. Estava na dele. Tinha mais era que enfrentar o gigante, afinal, “tamanho não é documento”. Eu tenho uma teoria e acho que não sem razão, que o protestantismo brasileiro (ou seria o evangelicalismo brasileiro?) possui uma profunda crise existencial: só consegue viver e crescer se tiver um inimigo, que claro, é sempre grande, enorme. Não, não, gigantesco!

Pois bem, esta teoria tem lá sua razão de ser.

Voltemo-nos um pouco para o passado: Quando os missionários aqui chegaram (Simonton, Chamberlain, o casal Kalley, dentre outros) encontraram uma nação profundamente católica. Existem relatos históricos de perseguições sofridas pelos primeiros protestantes nestas terras tupiniquins. Pessoas eram perseguidas, templos apedrejados; bíblias queimadas em praça pública (normalmente em frente ao templo da Igreja Católica Apostólica Romana). De fato, nossos pais na fé sofreram e muito. Os padres no sertão nordestino soltavam histórias absurdas sobre os “crentes”: Que eles, à semelhança do diabo, possuíam os pés fendidos, tais quais as patas dos bodes. Assim, muitos eram parados nas ruas e os incautos lhes pediam que tirassem os sapatos para comprovar o “fato”. Nestes locias, os crentes eram alcunhados de "Pés de bode". Diante disso e de tantas outras coisas, surgiu no Brasil a ideia de que a Igreja Católica era um inimigo e assim, “agigantou-se” - eis o primeiro gigante a ser enfrentado e combatido. E assim foi, por muitas décadas. O fato é que a Igreja Católica Romana foi mudando, deixando de perseguir os “crentes” e o gigante foi ananizando-se. Eis o problema:

- "E agora, não temos mais inimigos a combater. Precisamos de um!!"

Década de 50. O mundo estarrecido com o avanço da “Cortina de Ferro” a URSS-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O mocinho adverte o mundo:

- “Cuidado, eles comem criancinhas!”

- "Eis o novo gigante!!! Obrigado, Senhor, temos de novo, um inimigo, louvado sejas, Senhor!"

Lembro-me de ser muito influenciado por umas revistinhas famigeradas do Wim Malgo: Notícias de Israel e Chamada da Meia-Noite. Nelas o “exegeta” provava com todas as letras (e versículos), que a URSS, na figura de seus líderes (Brezhnev, Gorbatchev) era o anticristo, a besta. Mas em 9 de novembro de 1989 o muro caiu... o comunismo acabou... e novamente, os crentes ficaram sem inimigos...

- "Snifff! Não importa, criemos um inimigo a ser combatido!"

A partir de então, tudo era um inimigo em potencial. E de repente, eis que surge a oportunidade:

O movimento da Nova Era foi eleito o inimigo a ser combatido. A Nova Era é um perigo. Tudo é Nova Era. Comida é Nova Era, bebida é Nova Era, camiseta é Nova Era, cremes são da Nova Era, tudo era da Nova Era. Mas não era... a verdade é que o movimento Nova Era nunca causou problemas aos crentes. Os crentes é que precisavam de que a Nova Era fosse forte, perigosa, para então quixotescamente, combatê-la. Mas o movimento da Nova Era também acabou e os evangélicos brasileiros mais uma vez ficaram sem inimigo a ser combatido.

- "Mas agora é diferente! Tudo se encaixa! Nosso vazio existencial evangélico começa a ser preenchido. Estamos à beira de profecias se cumprirem. Temos um grande inimigo:"

EXTRA! EXTRA! BARACK OBAMA É A BESTA DO APOCALIPSE!!!

Já existem sites apregoando o cumprimento da profecia. Já existem pastores pregando sobre o fato. Já fiquei sabendo que até em salões de beleza, cabeleireiras estão comentando... Hehehe.
Não resisto: vou citar um referido Blog:

"O quadro do governo Mundial 'besta + G7 + ONU + CMI' se fecha perfeitamente em Obama, um representante a altura e com o mesmo caráter e intento que a cúpula anticristã Mundial!!”

E blá, blá, blá...

Diante disso tudo, eu acho mesmo que a besta está presente entre nós. O Problema é que não é uma só, são milhares. Que o Senhor se apiede de nós...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Como Uma Onda no Mar...


Lulu Santos fez grande sucesso na década de 80 cantando "Como uma Onda", referindo-se aos fatos da vida, que vem e vão, como as ondas do mar, "num indo e vindo infinito". Comecei a pensar neste fato e tive que concordar com Lulu Santos, e mais: Lembrei-me do bordão dos publicitários: "Nada se cria, tudo se copia" e daí pra Lavoisier: "tudo se transforma..." A cada momento que vemos algo aparentemente novo, chegamos àquela clássica confirmação: "já vi algo parecido".

Creio que na atual conjuntura eclesiástica acontece o mesmo. Tenho visto e ouvido tanto de profetas, profetisas e visões que isso não me deixa nenhuma dúvida. Isso já aconteceu...
Foi assim que, nesta semana, deparei-me com um texto de Eusébio de Cesaréa em sua "História Eclesiástica", do século IV, em seu capítulo XVI, e que gostaria de citá-lo "ipsis literis". permita-me.

...Na Mísia, perto da Frígia, há uma localidade chamada Árdaba. Contam que ali Montano, levado pela ambição imoderada de ocupar o primeiro lugar, franqueou sua alma ao espírito maligno. Ele estava entre os recém-convertidos e, possuído pelo demônio, começou violenta e frequentemente a delirar, entrando em certo tipo de transe extático, proferindo coisas ininteligíveis e nunca ditas na Igreja, profetizando de modo contrário ao costume da Igreja, que tem sido transmitido pela tradição desde o princípio.

8. Alguns, ouvindo suas extravagâncias, repreenderam-no como pessoa dominada por um demônio... tendo presentes as advertências do Senhor que nos exortam a vigiar contra os falsos profetas. Mas outros, arrebatados e sobremaneira exultantes, presumiram possuir o Espírito Santo e o dom de profecia.

9. ...Suscitou também a duas mulherzinhas, enchendo-as do espírito maligno, de tal modo que começaram a falar irresponsavelmente coisas absurdas e estranhas... Tais pessoas, sob a influência de tal espírito, blasfemaram contra a Igreja Católica, porquanto essa não dava entrada nem crédito a espíritos pseudo proféticos.

10. Por causa deste assunto, repetidas vezes reuniram-se em diversos pontos da Ásia os fiéis asiáticos, ...condenada a heresia e expulsando tais hereges da Igreja e da comunhão com os fiéis.

Lulu Santos não estaria certo? Esta onda que nos sacode já sacudiu a igreja anteriormente, e não continua "num indo e vindo infinito"?. Sim, é isso mesmo. A grande diferença entre os primeiros séculos e os tempos em que estamos vivendo é que lá, havia uma unidade de fé por parte da igreja e tal fé era reconhecida e partilhada pela maior parte dos cristãos. Assim, quando a Igreja combatia tais heresias e as condenava, a grande maioria dos cristãos entendia tal atitude e reconhecia a firmeza da igreja, e os hereges desacreditados. Por consequência, seus movimentos logo perdiam os adeptos.

As ondas continuam vindo num vai e vem infinito. Mas há uma diferença. O que mudou foi a postura da igreja e dos cristãos. Antes, os cristãos se solidarizavam com a Igreja. Hoje, a solidariedade é com os movimentos e com os hereges. Hoje, o descrédito é para com a Bíblia e não para com os hereges.

Pois é, o montanismo veio até nós "como uma onda no mar"...


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Presbiterianos independentes, mas nem tanto assim...


"Assim, pois irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" - 2 Tessalonicenses 2.15

Tempos conturbados esses em que vivemos. O que antes era verdade, agora manifesta-se como a mais profusa mentira. Alguém poderia imaginar que o Presidente Lula fosse indicar para a presidência do Banco Central, um banqueiro? São as contradições da pós-modernidade, diria o filósofo, já que vivemos uma época em que "tudo que é sólido desmancha no ar".

Na verdade, por uma imposição desta tal de pós-modernidade, passamos por uma crise de paradigmas, de referenciais, uma vez que é próprio do espírito pós-moderno, questionar o que era caracterizado como "moderno". Mas que era mesmo ser moderno?

De forma muito superficial, modernidade foi a era inaugurada pelos filósofos iluministas, que elevaram a razão à sua máxima, em contraposição à interpretação religiosa de ver o mundo da idade medieval. E como bordão desta escola filosófica, que tem o nome e seu raciocínio lógico como o centro, há a frase de René Descartes, "penso, logo existo". Eis a modernidade - a razão! Eis o homem moderno, o racional!

Pois bem, a "pós-modernidade" em que estamos vivendo age justamente na crítica desta premissa da modernidade - a razão. No mundo pós-moderno, as pessoas não estão mais convencidas de que a razão seja a única forma de conhecimento, mas sim, a emoção e a intuição. No pós-modernismo em que estamos vivendo, não há mais verdade, e sim, "verdades". E mesmo assim, estas verdades são relativas, pois o que é verdade para uns, pode não ser para outros.
É também característica desta nova ordem, olhar para tudo de forma globalizada. Não há mais um mercado local, tudo se misturou. A crise imobiliária nos Estados Unidos, quebrou bancos no mundo inteiro.

Mas você deve estar se perguntando: "Que isso tem a ver comigo e com a igreja?" E eu lhe respondo: Tudo, absolutamente, tudo. A pós-modernidade não bateu na porta de nossos templos pedindo licença para entrar. Entrou e se instalou! Stanley Grenz afirma: "Assim como algumas pessoas sentem-se bem ao misturar elementos de vestuário tidos tradicionalmente como incompatíveis, os pós-modernos sentem-se bem ao misturar elementos de sistemas de crenças tradicionalmente considerados incompatíveis".

Ser cristão e presbiteriano independente nesta cosmovisão é muito difícil! Somos cristãos, cremos que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação e lá vem o tal de pós-moderno: "Bem, ele é o caminho para você, pode não ser para outro..." Até aqui nos agüentamos no mesmo barco e abraçamos nossa ortodoxia cristã: "Não, Jesus Cristo é o único caminho!" Mas além de cristãos, somos presbiterianos independentes e precisamos, na linguagem do apóstolo Paulo aos Tessalonicenses, "guardar as tradições que nos foram ensinadas", e lá vem de novo, o espírito da pós-modernidade: "mas pra quê guardar tradições se devemos mesclar tudo?" E aqui, nossa ortodoxia não resiste. Não são pouco os que estão se rendendo à esta visão.

Por quê, ser simplesmente um presbiteriano independente se eu posso ser um presbiteriano, batista, pentecostal, metodista, assembleiano, independente, renovado, da comunidade "x" com estratégia em células, inspirado pelo G12, envolvido com ministério de curas com ênfase no falar em línguas, tendo como referencial, o ungido de Deus que aparece na TV, pastor fulano de tal? Ah, me esqueci. Com cobertura espiritual da profetisa beltrana, do tabernáculo do fogo...

Pois é, Paulo nos adverte: "guardai as tradições que vos foram ensinadas" - Eis aí a todos os membros da IPI do Brasil um grande desafio bíblico. Sejamos pois, com responsabilidade, bons presbiterianos independentes.

A Ele, pois, toda a glória!

sábado, 22 de dezembro de 2007

Só para lembrar que sou humano.
E como diria, Nietzche, "demasiado humano".
Aliás, este lado humano em 2007, me deu profundas alegrias.