
"Assim, pois irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" - 2 Tessalonicenses 2.15
Tempos conturbados esses em que vivemos. O que antes era verdade, agora manifesta-se como a mais profusa mentira. Alguém poderia imaginar que o Presidente Lula fosse indicar para a presidência do Banco Central, um banqueiro? São as contradições da pós-modernidade, diria o filósofo, já que vivemos uma época em que "tudo que é sólido desmancha no ar".
Na verdade, por uma imposição desta tal de pós-modernidade, passamos por uma crise de paradigmas, de referenciais, uma vez que é próprio do espírito pós-moderno, questionar o que era caracterizado como "moderno". Mas que era mesmo ser moderno?
De forma muito superficial, modernidade foi a era inaugurada pelos filósofos iluministas, que elevaram a razão à sua máxima, em contraposição à interpretação religiosa de ver o mundo da idade medieval. E como bordão desta escola filosófica, que tem o nome e seu raciocínio lógico como o centro, há a frase de René Descartes, "penso, logo existo". Eis a modernidade - a razão! Eis o homem moderno, o racional!
Pois bem, a "pós-modernidade" em que estamos vivendo age justamente na crítica desta premissa da modernidade - a razão. No mundo pós-moderno, as pessoas não estão mais convencidas de que a razão seja a única forma de conhecimento, mas sim, a emoção e a intuição. No pós-modernismo em que estamos vivendo, não há mais verdade, e sim, "verdades". E mesmo assim, estas verdades são relativas, pois o que é verdade para uns, pode não ser para outros.
É também característica desta nova ordem, olhar para tudo de forma globalizada. Não há mais um mercado local, tudo se misturou. A crise imobiliária nos Estados Unidos, quebrou bancos no mundo inteiro.
Mas você deve estar se perguntando: "Que isso tem a ver comigo e com a igreja?" E eu lhe respondo: Tudo, absolutamente, tudo. A pós-modernidade não bateu na porta de nossos templos pedindo licença para entrar. Entrou e se instalou! Stanley Grenz afirma: "Assim como algumas pessoas sentem-se bem ao misturar elementos de vestuário tidos tradicionalmente como incompatíveis, os pós-modernos sentem-se bem ao misturar elementos de sistemas de crenças tradicionalmente considerados incompatíveis".
Ser cristão e presbiteriano independente nesta cosmovisão é muito difícil! Somos cristãos, cremos que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação e lá vem o tal de pós-moderno: "Bem, ele é o caminho para você, pode não ser para outro..." Até aqui nos agüentamos no mesmo barco e abraçamos nossa ortodoxia cristã: "Não, Jesus Cristo é o único caminho!" Mas além de cristãos, somos presbiterianos independentes e precisamos, na linguagem do apóstolo Paulo aos Tessalonicenses, "guardar as tradições que nos foram ensinadas", e lá vem de novo, o espírito da pós-modernidade: "mas pra quê guardar tradições se devemos mesclar tudo?" E aqui, nossa ortodoxia não resiste. Não são pouco os que estão se rendendo à esta visão.
Por quê, ser simplesmente um presbiteriano independente se eu posso ser um presbiteriano, batista, pentecostal, metodista, assembleiano, independente, renovado, da comunidade "x" com estratégia em células, inspirado pelo G12, envolvido com ministério de curas com ênfase no falar em línguas, tendo como referencial, o ungido de Deus que aparece na TV, pastor fulano de tal? Ah, me esqueci. Com cobertura espiritual da profetisa beltrana, do tabernáculo do fogo...
Pois é, Paulo nos adverte: "guardai as tradições que vos foram ensinadas" - Eis aí a todos os membros da IPI do Brasil um grande desafio bíblico. Sejamos pois, com responsabilidade, bons presbiterianos independentes.
A Ele, pois, toda a glória!
Um comentário:
É verdade companheiro.
As vezes me sinto com um desejo de Zaratustra, que se isolou e não sentiu falta da humanidade. Mas, como as coisas não são assim, continuemos na labuta. Soli Deo gloria!
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