quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Como Uma Onda no Mar...


Lulu Santos fez grande sucesso na década de 80 cantando "Como uma Onda", referindo-se aos fatos da vida, que vem e vão, como as ondas do mar, "num indo e vindo infinito". Comecei a pensar neste fato e tive que concordar com Lulu Santos, e mais: Lembrei-me do bordão dos publicitários: "Nada se cria, tudo se copia" e daí pra Lavoisier: "tudo se transforma..." A cada momento que vemos algo aparentemente novo, chegamos àquela clássica confirmação: "já vi algo parecido".

Creio que na atual conjuntura eclesiástica acontece o mesmo. Tenho visto e ouvido tanto de profetas, profetisas e visões que isso não me deixa nenhuma dúvida. Isso já aconteceu...
Foi assim que, nesta semana, deparei-me com um texto de Eusébio de Cesaréa em sua "História Eclesiástica", do século IV, em seu capítulo XVI, e que gostaria de citá-lo "ipsis literis". permita-me.

...Na Mísia, perto da Frígia, há uma localidade chamada Árdaba. Contam que ali Montano, levado pela ambição imoderada de ocupar o primeiro lugar, franqueou sua alma ao espírito maligno. Ele estava entre os recém-convertidos e, possuído pelo demônio, começou violenta e frequentemente a delirar, entrando em certo tipo de transe extático, proferindo coisas ininteligíveis e nunca ditas na Igreja, profetizando de modo contrário ao costume da Igreja, que tem sido transmitido pela tradição desde o princípio.

8. Alguns, ouvindo suas extravagâncias, repreenderam-no como pessoa dominada por um demônio... tendo presentes as advertências do Senhor que nos exortam a vigiar contra os falsos profetas. Mas outros, arrebatados e sobremaneira exultantes, presumiram possuir o Espírito Santo e o dom de profecia.

9. ...Suscitou também a duas mulherzinhas, enchendo-as do espírito maligno, de tal modo que começaram a falar irresponsavelmente coisas absurdas e estranhas... Tais pessoas, sob a influência de tal espírito, blasfemaram contra a Igreja Católica, porquanto essa não dava entrada nem crédito a espíritos pseudo proféticos.

10. Por causa deste assunto, repetidas vezes reuniram-se em diversos pontos da Ásia os fiéis asiáticos, ...condenada a heresia e expulsando tais hereges da Igreja e da comunhão com os fiéis.

Lulu Santos não estaria certo? Esta onda que nos sacode já sacudiu a igreja anteriormente, e não continua "num indo e vindo infinito"?. Sim, é isso mesmo. A grande diferença entre os primeiros séculos e os tempos em que estamos vivendo é que lá, havia uma unidade de fé por parte da igreja e tal fé era reconhecida e partilhada pela maior parte dos cristãos. Assim, quando a Igreja combatia tais heresias e as condenava, a grande maioria dos cristãos entendia tal atitude e reconhecia a firmeza da igreja, e os hereges desacreditados. Por consequência, seus movimentos logo perdiam os adeptos.

As ondas continuam vindo num vai e vem infinito. Mas há uma diferença. O que mudou foi a postura da igreja e dos cristãos. Antes, os cristãos se solidarizavam com a Igreja. Hoje, a solidariedade é com os movimentos e com os hereges. Hoje, o descrédito é para com a Bíblia e não para com os hereges.

Pois é, o montanismo veio até nós "como uma onda no mar"...


2 comentários:

CQuadros disse...

"levado pela ambição imoderada de ocupar o primeiro lugar, franqueou sua alma ao espírito maligno".

Ah, essa tentação chamada poder!

LUÍS GUSTAVO DE ARAUJO disse...

Grande Rev. Roberto Mauro.
Bom Texto e agora no mundo do blogspot.